Para além de uma construção, uma ironia construcional: análise cognitivo-funcional de 'só que não' no português brasileiro
DOI:
https://doi.org/10.21165/el.v55i1.3914Resumo
Com este trabalho, pretende-se, na perspectiva da Gramática de Construções (Goldberg, 2006), caracterizar só que não quanto à sua forma e à sua função, graças às propriedades de esquematicidade, de produtividade e de composicionalidade (Traugott; Trousdale, 2013). Ademais, à luz de Lehmann e Bergs (2021), objetivamos afirmar seu estatuto de ironia construcional, cuja interpretação irônica, uma vez enraizada no imaginário coletivo, é instantaneamente reconhecida. Para tanto, fazemos uso sincrônico e qualitativo d’O Corpus do Português (Davies, 2016), sobretudo na microamostra NOW, restringindo-nos a páginas brasileiras. Assim, nossos resultados revelam só que não como construção prototípica, porque mais esquemática, mais produtiva e menos composicional, em virtude de seu comportamento morfossintático-semântico (Camargo, 2017, 2020; Camargo; Hirata-Vale, 2022), na qual se destaca um caráter inerentemente irônico, e, mais do que isso, como ironia construcional – uma forma especializada na marcação irônica. Esperamos, portanto, contribuir para o enriquecimento dos estudos linguísticos no português brasileiro escrito, no sentido de avançarmos na compreensão da ironia como uma estratégia linguística intrínseca às interações do dia a dia.
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