Negação e operador argumentativo em “não tenho nada contra gays, mas...”: da argumentação na língua às posições-sujeito no discurso

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DOI:

https://doi.org/10.21165/el.v55i1.3837

Resumo

Este artigo analisa o encadeamento sintático “não-X, mas Y” em enunciados como “não tenho nada contra gays, mas…”. Examina-se a materialidade linguística a partir de Anscombre e Ducrot (1976), Ducrot (1987) e Guimarães (2001), para, em seguida, descrever e interpretar a materialidade discursiva conforme Pêcheux (2016), Courtine (2009), Indursky (2013) e outros. Busca-se compreender como se produzem vozes de modo desigual no discurso, sustentando um ritual enunciativo de negação e denegação. Mostra-se que a negação responde ao pré-construído de denúncia contra a homofobia, enquanto o “mas” reinscreve o sentido do enunciado na cis-heteronormatividade. Assim, destaca-se um sujeito dividido, que precisa negar a homofobia para mantê-la discursivamente sob a aparência da tolerância.

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Publicado

02-06-2026

Como Citar

Fatima, W. da S. de. (2026). Negação e operador argumentativo em “não tenho nada contra gays, mas.”: da argumentação na língua às posições-sujeito no discurso. Estudos Linguísticos (São Paulo. 1978), 55(1), 195–213. https://doi.org/10.21165/el.v55i1.3837

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Seção

Artigos