Abordagem quantitativa da referenciação anafórica em narrativas orais
DOI:
https://doi.org/10.21165/el.v55i1.3766Resumo
Referenciações provocam mudanças dinâmicas nos interpretantes evocados pelos interlocutores. Discretizadas em objetos de discurso, expressões nominais ou pronominais dêiticas de 1ª ou 2ª pessoa, implicam índices como partículas pronominais ou posições sintáticas. Com base nesse princípio, este estudo teve como objetivo analisar quantitativamente os lapsos temporais entre ocorrências de diferentes tipos de referenciação em narrativas orais, buscando compreender como esses intervalos influenciavam a manutenção de interpretantes e a coesão textual. Foram examinadas 11 narrativas orais transcritas, nas quais se identificaram cadeias coesivas iniciadas por expressões imagéticas. Cada elemento foi classificado segundo sua natureza referencial, e se registraram, em segundos, os lapsos entre uma ocorrência e sua retomada subsequente. As elipses foram marcadas como PRO, tomando-se como referência o ponto sintático que permitia sua inferência. Os dados foram submetidos a ANOVA e testes t. Os resultados mostraram diferenças estatisticamente significativas entre os tipos de referenciação (Fo(9,985) > Fc(3,316); p < 0,001). As correferências nominais apresentaram os maiores lapsos médios (10,16 s), diferindo significativamente das anáforas pronominais (4,70 s) e das elipses anafóricas (3,63 s), ambas com p < 0,001. As anáforas de 3ª pessoa exibiram maior regularidade temporal (cv = 0,26), enquanto as elipses mostraram maior variabilidade (cv = 0,51). Foi possível verificar que a estrutura temporal das cadeias coesivas refletiu diferentes demandas cognitivas: correferências exigiam maior atualização interpretativa, ao passo que pronomes e elipses favoreciam retomadas mais rápidas. Esses achados reforçaram a compreensão dos mecanismos de coesão em narrativas orais e sua relação com o processamento linguístico.
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